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Estão querendo destruir a Copa Libertadores da América
03/10/2016 - 1h02 em Esporte

Por Vinícius Silveira

Alô amigos da Rádio Barreiro

Vou me abster de analisar a 28ª rodada do Campeonato Brasileiro - que ainda está em curso - mas que apresentou resultados interessantes para Atlético e Cruzeiro. Estou aqui para comentar, ou melhor, desabafar sobre um assunto que aconteceu nesta semana. A pauta em questão é as várias mudanças que a Conmebol fará na estrutura da Copa Libertadores da América.

Estas mudanças são: aumentar o período de disputa do torneio, de fevereiro até novembro, passando de 27 semanas de disputa para 42, além de trazer mais times e a grande decisão sendo disputada em um jogo, sendo que, atualmente, são necessárias duas partidas para se definir o campeão. As alterações valeriam já para a próxima edição, em 2017. Outra mudança, e esta eu gostei muito, seria que os clubes classificados em seus países só poderiam participar se montassem um time de futebol feminino, mas isto é só para 2019. 

Quando surgiu a ideia dos clubes sul-americanos criarem uma liga independente da Conmebol, me agradou bastante. O futebol ficará melhor a partir do momento em que os clubes se tornarem independentes em todos os sentidos. No entanto, esta decisão da Confederação Sul-Americana quer arrebentar de vez com uma das melhores competições de futebol do mundo.

Estas mudanças são ridículas e provam, mais uma vez, a tentativa de se criar uma cópia muito mal feita do que se faz na Europa. Antes de qualquer coisa, parece que os dirigentes não tem noção de como os clubes que disputam a Libertadores sofrem para atuar em locais de difícil acesso, mais precisamente, em algumas cidades da Bolívia, Venezuela, Peru, até mesmo, no México. 

Outra coisa, o Brasileirão, que já não é uma grande maravilha, ficaria ainda mais deficitária. Teoricamente, os times brasileiros que disputariam a Libertadores, não reuniriam condições de encarar o Nacional em alto nível, tamanho seria o desgaste físico. Além do mais as ligas argentinas, uruguaias, paraguaias, entre outras, são disputadas no modo europeu. Ou seja, no período de férias - maio até julho - entre um campeonato e outro, as equipes estariam disputando a Libertadores. Não faz sentido!

Mais um motivo. Quem inventou esta história de final única é um perfeito demente. O tamanho do continente sul-americano é enorme. Uma decisão em um jogo impediria aqueles torcedores que não tem condições financeiras de acompanhar seu time do coração. Vamos imaginar aqui: Cruzeiro x Atlético Nacional-COL em Assunção, no Paraguai. Ou Atlético x River Plate em Caracas, na Venezuela. Não tem base uma coisa dessas.

“Ah, mas a Liga dos Campeões da Europa acontece em final única?” Eu acho que este torneio só tem graça a partir das quartas de final. A pré-Champions e a primeira fase não tem nada de agradável, onde só serve para os poderosos times do continente europeu arrebentar com os mais fracos e provar ao mundo sua supremacia. Lá pelas bandas europeias, tem equipes que vão de um país a outro utilizando o metrô. Aqui na América do Sul, a logística é muito mais severa, com viagens que superam oito, nove, até dez horas, ou mais do que isso. 

Além disso, estão querendo acabar com o que tinha de melhor na disputa da Libertadores para os torcedores e também para os jogadores. Os embates dentro e fora do campo, apimentadas pela raça empregada pelos jogadores, e o sacrifício de cada vitória, tudo fazia parte e incrementava o charme da competição. Infelizmente, ela está caindo por terra, graças à mente pequena, e sem qualquer comprometimento com ao torneio, pensando apenas naquilo que lhes convém. Uma pena! 

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